Eu já tinha concluído minha formação em yoga.
Já tinha começado a dar aulas.
Já estava atuando há alguns meses, cheia de vontade e propósito.
Até que, um dia, uma moça entrou em contato comigo dizendo que estava grávida e que iria à aula naquela noite.
Eu lembro exatamente da sensação.
Foi um gelo na alma.
Na formação que eu tinha feito, havia existido um “módulo” sobre gestantes.
Uma hora.
Uma única hora para algo que, eu sentia, era muito maior do que aquilo.
Eu sabia, no fundo, que aquela uma hora não tinha me preparado para receber uma gestante.
Mas eu ainda não tinha consciência suficiente para nomear isso.
Ela chegou para a aula.
Era uma turma mista, com outros alunos.
Ela ainda não tinha barriga aparente.
Eu perguntei como ela estava se sentindo.
Ela disse que estava bem.
E ali veio outra verdade difícil:
👉 eu não sabia nem o que perguntar para uma gestante.
Mesmo assim, eu acolhi.
Ela sentou na minha frente, totalmente entregue àquela experiência.
E isso aumentou ainda mais o meu medo.
Porque eu senti algo muito profundo naquele momento:
ela confiava em mim… e eu não estava confiando em mim.
Conduzi a aula.
Hoje, com o olhar que tenho, sei que fiz coisas que não faria mais.
Não por negligência, mas por falta de orientação, maturidade e preparo emocional.
Minha condição interna estava completamente desalinhada com o tamanho da responsabilidade que eu tinha nas mãos.
Eu era jovem, inexperiente e não tinha ninguém que me dissesse com clareza:
“Esse é o caminho para conduzir uma gestante com segurança.”
Ela veio a algumas aulas.
E cada vez que ela aparecia, meu desconforto aumentava.
Era ela, grávida, no meio da turma.
A turma, no meio da gestação.
E eu, no meio de tudo aquilo, frágil como instrutora.
Eu sabia que havia um bebê ali.
E eu sabia que eu não estava pronta.
Até que ela parou de vir.
Disseram que ela sentiu que a condução não estava boa, que eu não estava segura.
E era verdade.
Eu agradeci a Deus por ela ter parado.
Não por alívio egoísta, mas porque aquilo foi um limite claro para mim.
Naquele momento, eu firmei um propósito interno muito forte:
eu não voltaria a dar aula para uma gestante enquanto não me aprofundasse de verdade no yoga para gestantes.
Hoje, aquele “bebê” tem cerca de 12 anos.
É uma menina.
Nós somos da mesma cidade, nos acompanhamos pelas redes, a vida seguiu.
E toda vez que eu vejo aquela menina, algo em mim se lembra.
Ela foi a sacudida.
Ela foi o chamado.
Ela foi quem me mostrou, na prática, que gestantes vão aparecer e eu preciso saber o que fazer.
Nunca passou pela minha cabeça recusar uma grávida.
Meu propósito com o yoga sempre foi de acolhimento, não de exclusão.
Então, se eu queria receber gestantes, eu precisava me preparar para isso.
Sou profundamente grata aquela mulher e aquele bebê.
Porque foi a partir deles que meu olhar mudou.
Meu caminho se aprofundou.
E minha forma de ensinar yoga nunca mais foi a mesma.
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